Carvão ativado pode ajuda no tratamento das doenças renais?

Conteúdos

Nos últimos anos, o carvão vegetal ativado ganhou popularidade no mundo da saúde e bem-estar, aparecendo em uma variedade de produtos, desde cosméticos até suplementos alimentares. Embora seja conhecido por seu uso em tratamentos médicos de emergência, como na desintoxicação por envenenamento, pesquisas recentes sugerem que o carvão ativado pode oferecer benefícios para a saúde do paciente com doença renal crônica.

Neste artigo, exploraremos o uso do carvão vegetal ativado em casos de doença renal e como ele pode impactar positivamente o corpo, como base em pesquisas científicas.

pote com carvão ativado em pó
Carvão ativado pode ajuda no tratamento das doenças renais? 2

O que é o carvão vegetal ativado?

O carvão ativado é um material obtido por meio da queima de matérias-primas como madeira ou cascas de coco em altas temperaturas. Esse processo cria uma substância extremamente porosa, com uma grande área de superfície que lhe permite capturar e adsorver (fixar solutos na superfície) toxinas, gases e outros compostos. A partir disso, ele pode ser utilizado tanto em tratamentos médicos quanto em produtos de bem-estar.

Para que serve o carvão ativado?

1. Desintoxicação e eliminação de toxinas

Uma das principais funções do carvão via oral é sua capacidade de adsorver toxinas no trato gastrointestinal. Estudos científicos recentes continuam a apoiar seu uso para o tratamento de envenenamento agudo, devido à sua capacidade de impedir que substâncias químicas perigosas sejam absorvidas pelo corpo (1). Uma pesquisa publicada na International Journal of Medical Students reforça seu uso em cenários de emergência, comprovando sua eficácia em adsorver medicamentos e toxinas antes que cheguem à corrente sanguínea (2).

2. Função renal e eliminação de resíduos

O carvão ativado também tem sido estudado como protetor para progressão da doença renal crônica. Um estudo de 2023, publicado no Journal of medicine and life, investigou o uso de carvão vegetal ativado para a melhora da função renal. A pesquisa verificou se a suplementação com carvão, associado ao tratamento padrão poderia reduzir toxinas urêmicas em pacientes com doença renal em estágio terminal e a conclusão foi uma diminuição significativa de uréia e fósforo, após 8 semanas de uso. Com isso, pode-se compreender que o uso do carvão oral em pacientes com doença renal crônica pode trazer um resultado satisfatório na melhora da condição patológica (3).

Além disso, o uso oral do carvão em pessoas com essa condição que fazem hemodiálise pode diminuir uma complicação comum que é o “prurido urêmico” (coceira pelo corpo) (4).

Como é o mecanismo de ação do carvão ativado em doenças renais crônicas

1. Adsorção de toxinas urêmicas: A principal função do carvão ativado no tratamento de doenças renais crônicas está relacionada à sua capacidade de adsorver toxinas no trato gastrointestinal. Quando os rins falham ou estão comprometidos, eles não conseguem filtrar adequadamente os produtos residuais e as toxinas do sangue, como a ureia, creatinina e outros compostos nitrogenados. Essas toxinas urêmicas se acumulam no organismo, levando a uma condição chamada uremia.

O carvão ativado, ao ser administrado oralmente, pode adsorver algumas dessas toxinas diretamente no intestino, evitando que elas sejam reabsorvidas pela corrente sanguínea. Como resultado, há uma diminuição dos níveis dessas toxinas no corpo, o que pode aliviar alguns sintomas relacionados à doença renal crônica e reduzir a carga de trabalho dos rins.

2. Interferência na circulação entero-hepática: Alguns estudos sugerem que o carvão ativado pode interromper a circulação entero-hepática de algumas toxinas urêmicas. Essa circulação ocorre quando as toxinas são excretadas na bile, liberadas no intestino e depois reabsorvidas de volta para o fígado, em um ciclo contínuo. O carvão ativado pode adsorver essas substâncias no intestino e impedir sua reabsorção, facilitando sua eliminação nas fezes (5).

3. Redução de inflamação sistêmica: O acúmulo de toxinas urêmicas no organismo pode levar a uma resposta inflamatória sistêmica, que agrava os danos aos rins e a outros órgãos. O uso do carvão ativado pode ajudar a reduzir a carga dessas toxinas, aliviando a inflamação sistêmica e potencialmente retardando a progressão da doença renal crônica.

Conclusão sobre o carvão vegetal

O carvão vegetal ativado pode ajudar a adsorver toxinas urêmicas no intestino e, assim, auxiliar na redução dos sintomas de uremia em pacientes com doenças renais crônicas. No entanto, seu uso é considerado uma terapia complementar e não substitui tratamentos mais convencionais, como diálise ou terapia medicamentosa.

O uso prolongado de carvão ativado pode causar desconfortos gastrointestinais, como constipação, náuseas e, em alguns casos, interferir na absorção de nutrientes e medicamentos essenciais.

 Seu uso deve sempre ser supervisionado por um profissional de saúde, que avaliará os benefícios e riscos para cada caso individual.

Referências:

  1. HOEGBERG, L. C. G.; SHEPHERD, G.; WOOD, D. M.; JOHNSON, J.; HOFFMAN, R. S.; CARAVATI, E. M.; CHAN, W. L.; SMITH, S. W.; OLSON, K. R.; GOSSELIN, S. Systematic review on the use of activated charcoal for gastrointestinal decontamination following acute oral overdose. Clinical Toxicology (Philadelphia, Pa.), v. 59, n. 12, p. 1196-1227, 2021. DOI: https://doi.org/10.1080/15563650.2021.1961144.
  2. BONILLA-VELEZ, Juliana; MARIN-CUERO, Darly J.; MOUSA, Yazan. O uso de carvão ativado para envenenamentos agudos. International Journal of Medical Students, v. 5, n. 2, p. 98-103, 30 abr. 2017. DOI: 10.5195/ijms.2017.169.
  3. RAHMAN, W. K.; RABEA, I. S.; MEIZEL, M. M. Protective effect of activated charcoal against progression of chronic kidney disease: A randomized clinical study. Journal of Medicine and Life, v. 16, n. 9, p. 1310-1315, 2023. DOI: https://doi.org/10.25122/jml-2023-0128.
  4. ZANGANEH, M.; ABBASI, A.; KHOSRAVI, A.; AMERIAN, M.; EBRAHIMI, H. Effects of increased blood flow rate and oral activated charcoal on the severity of uremic pruritus: A randomized crossover clinical trial. Saudi Journal of Kidney Diseases and Transplantation, v. 34, n. 2, p. 125-133, 2023. DOI: https://doi.org/10.4103/1319-2442.391890.
  5. LEE, C. L.; LIU, W.; TSAI, S. F. Efeitos do AST-120 na mortalidade em pacientes com doença renal crônica modelados por inteligência artificial ou análise estatística tradicional. Scientific Reports, v. 14, p. 738, 2024. DOI: https://doi.org/10.1038/s41598-024-51498-6.

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