Você sofre do vício em celular?

O surgimento dos smartphones e de outros dispositivos móveis transformou, sobretudo na última década, nossas atividades diárias básicas e a forma como nos relacionamos. Em muitos casos, esses aparelhos trouxeram facilidade e informação em tempo integral na palma da mão, mas como diz o ditado: “tudo demais é veneno”. Diante de tantos estímulos visuais e da constante chuva de informações, muitos indivíduos acabam desenvolvendo um quadro de vício em celular. Quer saber mais sobre esse mal da vida moderna? Acompanhe!

O que é nomofobia?

Derivado da expressão em inglês “no mobile phobia”, o termo nomofobia é usado para designar o transtorno psicossocial causado pela dependência de aparelhos eletrônicos, como smartphones, tablets e computadores. Você é daqueles que checa o celular a cada minuto, que não come ou vai ao banheiro sem ter o aparelho em mãos ou que fica ansioso quando ele descarrega? Pois bem, você pode estar sofrendo de uma dependência patológica de tecnologia.

Para entender esse fenômeno, é importante diferenciar fobia de medo e de ansiedade. Medo é o que ocorre quando uma pessoa interpreta uma situação como sendo perigosa e ansiedade é a reação fisiológica de luta ou fuga que pode provocar tremor e aumento da frequência cardíaca. Já fobia é um medo desproporcional, irracional e que prejudica a qualidade de vida do indivíduo.

É claro que você não precisa ficar preocupado se faz uso de dispositivos diariamente por muitas horas: o vício em celular se configura apenas quando, diante da possibilidade de ficar offline, há alterações comportamentais e de humor.

Quais são os perigos dessa dependência?

Maior risco de acidentes

Pessoas viciadas em celular tendem a se distrair com o dispositivo enquanto realizam tarefas cotidianas que necessitam de cautela, como dirigir ou atravessar ruas. Não são raros os casos de colisão de carros, quedas, atropelamentos e acidentes de trabalho por conta do uso da tecnologia em situações inadequadas, o que coloca em risco a vida do próprio usuário e da comunidade.

Redução da capacidade de concentração

Os estímulos visuais e sonoros que recebemos via tecnologias são tentadores para o nosso cérebro e o deixam “mal-acostumado”. Quando em excesso, isso é ruim, pois o indivíduo perde o interesse mais facilmente em atividades não virtuais, como ler um livro impresso, desenhar ou jogar jogos de tabuleiro.

Isso explica a crescente dificuldade de entreter crianças na modernidade e o fato de a educação nas escolas tornar-se cada vez mais desafiadora. Acontece que as atividades offline também são muito importantes no desenvolvimento, na infância, da motricidade, da atenção, da disciplina e, principalmente, da socialização. Por isso, a Academia Americana de Pedriatria recomenda que o tempo de tela não exceda duas horas diárias para crianças de 2 a 5 anos.

Alteração das necessidades fisiológicas

Fazer refeições enquanto mexem em dispositivos móveis muda a forma como os indivíduos se relacionam com a comida, podendo causar falta de apetite ou redução do prazer no ato de se alimentar.

Outra necessidade fisiológica muito afetada pela nomofobia é o sono: já é consenso na comunidade científica que a luz azul da tela dos aparelhos boicota o mecanismo de sono e vigília do nosso organismo, já que ela atrapalha a secreção de melatonina, o hormônio do sono, pela glândula pineal. Assim, o uso excessivo do celular pode levar a quadros de insônia ou a uma perda significativa da capacidade restauradora de uma noite bem dormida.

Danos à saúde física

Médicos ortopedistas afirmam que a postura adotada durante o uso de dispositivos é quase sempre inadequada, sobrecarregando a coluna cervical e os ombros. Ao inclinar o pescoço para ver a tela do celular, a cabeça pode chegar a pesar 27 quilos; agora, imagine isso durante quase 5 horas todos os dias, que é a média de tempo que o brasileiro passa usando essa tecnologia diariamente.

Ademais, essa posição favorece a formação precoce de papada por flacidez dos músculos do pescoço. Outro problema comum entre os nomofóbicos é a dor nas articulações da mão, que pode evoluir para uma inflamação.

Prejuízo nas relações interpessoais

Esse é o problema mais comentado da dependência patológica de tecnologias e não é à toa: o envolvimento exagerado com os dispositivos pode atrapalhar as relações sociais na vida real, que tendem a ficar mais distanciadas.

No caso das crianças, o contato precoce com esses aparelhos pode provocar a falta de interação com adultos e outros pequenos, o que acaba por prejudicar a capacidade de elaborar e comunicar os próprios desejos e anseios, sobretudo na primeira infância, quando essa habilidade está sendo desenvolvida. A euforia e a satisfação provocadas pelo uso das tecnologias podem levar também ao sedentarismo e à reclusão.

Nomofobia e vida profissional: qual é a relação?

As tecnologias proporcionam maior velocidade de comunicação e facilidade de acesso à Internet e a e-mails, o que constitui uma enorme vantagem quando o assunto é trabalho e produtividade organizacional.

Em contrapartida, essa perda de limites entre o ambiente de trabalho e a vida pessoal favorece o estilo de vida workaholic, havendo evidências de sobrecarga de trabalho em indivíduos que utilizam o telefone celular como meio de comunicação com clientes e com a empresa. Ou seja, uma ferramenta útil de trabalho acaba impulsionando comportamentos mais compulsivos e competitivos que podem atrapalhar a qualidade de vida e a saúde mental.

Quando suspeitar?

O diagnóstico da nomofobia pode ser difícil. Por isso, elencamos alguns padrões de comportamento que devem ser observados:

  • sensações de excitação e segurança ao usar a tecnologia como forma de esquecer problemas pessoais;
  • atribuição de relevância aumentada à necessidade de estar conectado a dispositivos, podendo manifestar ansiedade, irritação ou mau humor quando, por exemplo, não há conexão ou carga no aparelho;
  • substituição de programas antes habituais — sair com amigos, praticar atividades físicas, etc. — por maior tempo diante da tecnologia;
  • alteração em padrões fisiológicos de sono, mudança nos hábitos alimentares ou sinais de depressão;
  • comprometimento da capacidade de concentração, havendo prejuízo à educação e ao desempenho profissional e social.

Como acabar com o problema?

O tratamento da nomofobia envolve abordagem psiquiátrica ou terapia cognitivo-comportamental, associada ou não a medicamentos que ajudem a controlar a compulsão. Para uma melhora mais sólida, é importante que o paciente desenvolva novos hobbies e identifique atividades de lazer que extrapolem o uso de tecnologia como, por exemplo, a prática de atividades físicas, música, dança, teatro, meditação, etc.

Você se identifica ou conhece alguém que se encaixa no perfil de vício em celular? Como você procura melhorar essa compulsão? Comente aqui e conte para a gente sua experiência!

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