Espiritualidade e longevidade | Entenda a relação entre eles

casal de idosos com espiritualidade e longevidade
Explorar a conexão entre espiritualidade e longevidade revela insights fascinantes sobre como a religiosidade pode impactar a saúde e a vida longa. Estudos indicam que práticas espirituais estão associadas a uma maior longevidade devido a fatores comportamentais, sociais e psicológicos. A inclusão da espiritualidade no cuidado clínico pode promover um bem-estar integral e reduzir a mortalidade.

Conteúdos

A relação entre espiritualidade e longevidade tem sido um assunto de interesse dentro da comunidade científica. Diversos estudos exploraram como a religiosidade e a espiritualidade podem influenciar a saúde física e a longevidade. Neste relatório vamos sintetizar as descobertas dos estudos mais recentes para fornecer a vocês uma compreensão abrangente da possível ligação entre espiritualidade e longevidade.

espiritualidade e longevidade
Espiritualidade e longevidade | Entenda a relação entre eles 2

Principais descobertas da espiritualidade e longevidade

1. Associação positiva entre espiritualidade e longevidade.

Um achado consistente em vários estudos é a associação positiva entre envolvimento religioso-espiritual (R/E) e aumento da longevidade[1-3]. Isso sugere que pessoas que se envolvem em práticas espirituais ou possuem crenças religiosas podem experimentar uma vida mais longa em comparação àqueles que não o fazem. Os mecanismos propostos para essa associação incluem vias psico-neuro-endócrino-imunes, adesão a comportamentos saudáveis e fatores sociais [1,3].

2. Impacto nos comportamentos de saúde e suporte social

Os efeitos benéficos da espiritualidade na longevidade são parcialmente atribuídos a escolhas de estilo de vida mais saudáveis e ao suporte social aprimorado. Pessoas que são espiritualmente ativas geralmente aderem a comportamentos que promovem a saúde e têm acesso a uma comunidade de apoio, o que pode contribuir para uma melhor saúde geral e redução do risco de mortalidade [1,3-4].

3. Espiritualidade e qualidade de vida

Estudos demonstraram que o bem-estar espiritual, particularmente o aspecto existencial, está significativamente relacionado tanto à qualidade de vida quanto à expectativa de vida. Essa relação é evidente em pacientes com insuficiência cardíaca, onde o bem-estar espiritual é recomendado para ser incluído em modelos de cuidados abrangentes [5].

4. Variações regionais nos benefícios da espiritualidade

Os benefícios de saúde e longevidade da R/E podem ser mais pronunciados em populações de regiões com níveis mais altos de religiosidade. Isso pode se dever a diferenças culturais na prática e integração da espiritualidade na vida cotidiana [1,6].

5. Espiritualidade no cuidado clínico

Integrar avaliações e programas de intervenção de espiritualidade e religiosidade no cuidado clínico é sugerido pelos pesquisadores para promover o bem-estar completo e potencialmente reduzir o risco de mortalidade [7].

Por exemplo, algumas metanálises indicam que alguns fatores ligados à espiritualidade, como propósito na vida e satisfação com a vida, estão associados a uma redução de 17% e 12% no risco de mortalidade, respectivamente [8,9].

Outro estudo demonstra que mulheres que participam de um serviço religioso mais de uma vez por semana foi associada a uma redução de 33% na mortalidade por todas, em comparação com aquelas que nunca haviam participado de serviços ou encontros religiosos [10]. Essa abordagem reconhece a natureza holística da saúde, englobando dimensões físicas, mentais e espirituais.

6. Espiritualidade, saúde mental e envelhecimento

A religião e a espiritualidade são importantes para a saúde mental positiva ao longo da vida adulta, com uma relação mais forte observada em idosos [11]. Isso pode ocorrer porque os indivíduos mais velhos recorrem à R/E para encontrar significado, propósito e lidar com experiências adversas.

À medida que a expectativa de vida aumenta, a importância da espiritualidade no envelhecimento e seu impacto na qualidade de vida torna-se mais evidente [12-14]. Indivíduos mais velhos frequentemente refletem sobre a espiritualidade como um meio de lidar com as limitações e perdas associadas ao envelhecimento.

7. Impacto comparativo na mortalidade

Quando comparada com outras intervenções de saúde, como consumo de frutas e vegetais e terapia com estatinas, a maior espiritualidade/religiosidade tem sido associada a uma redução de 18% na mortalidade [15-18]. Isso destaca o papel considerável que a R/E pode desempenhar na redução das taxas de mortalidade.

8. Abordagem multidimensional da espiritualidade

Pesquisas indicam que o bem-estar na velhice é positivamente predito pela espiritualidade, especialmente quando experimentada através da conexão com o transcendente e com os outros. No entanto, a conexão com a natureza não previu o bem-estar, sugerindo a necessidade de uma abordagem multidimensional para entender a influência da espiritualidade na saúde [19].

Podemos concluir que com as evidências que temos até o momento, há uma correlação clara entre espiritualidade e longevidade. Os mecanismos através dos quais a espiritualidade exerce sua influência na saúde e na longevidade são multifacetados, envolvendo caminhos comportamentais, sociais, psicológicos e possivelmente biológicos.

Embora as evidências apontem para um efeito benéfico, mais pesquisas são necessárias para compreender totalmente as complexidades dessa relação e como ela pode ser efetivamente integrada nas práticas de saúde pública e cuidados clínicos.

Dada a potencialidade da espiritualidade para impactar positivamente a saúde e a longevidade, profissionais de saúde e formuladores de políticas devem considerar maneiras de apoiar o bem-estar espiritual como parte de uma abordagem holística para promoção da saúde e prevenção de doenças.

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Referências:

  1. Saad M, Medeiros R. Implications for public health of the religiosity-longevity relation. Rev Assoc Med Bras (1992). 2017;63(10):837-841. doi:10.1590/1806-9282.63.10.837.
  2. Dominguez LJ, Veronese N, Barbagallo M. The link between spirituality and longevity. Aging Clin Exp Res. 2024;36(1):32. Published 2024 Feb 11. doi:10.1007/s40520-023-02684-5.
  3. Zimmer Z, Jagger C, Chiu CT, Ofstedal MB, Rojo F, Saito Y. Spirituality, religiosity, aging and health in global perspective: A review. SSM Popul Health. 2016;2:373-381. Published 2016 May 10. doi:10.1016/j.ssmph.2016.04.009.
  4. Alves RR, Alves Hda N, Barboza RR, Souto Wde M. The influence of religiosity on health. Cien Saude Colet. 2010;15(4):2105-2111. doi:10.1590/s1413-81232010000400024.
  5. Abdi A, Doulatyari PK, Mahmodi M, Torabi Y. Relationship of spiritual wellbeing with life expectancy and quality of life for patients living with heart failure. Int J Palliat Nurs. 2022;28(6):262-269. doi:10.12968/ijpn.2022.28.6.262.
  6. Stavrova O. Religion, self-rated health, and mortality: whether religiosity delays death depends on the cultural context. Social Psychological and Personality Science. 2015; 6(8):911-22.
  7. Dominguez LJ, Veronese N, Barbagallo M. The link between spirituality and longevity. Aging Clin Exp Res. 2024;36(1):32. Published 2024 Feb 11. doi:10.1007/s40520-023-02684-5
  8. Cohen R, Bavishi C, Rozanski A. Purpose in Life and Its Relationship to All-Cause Mortality and Cardiovascular Events: A Meta-Analysis. Psychosom Med. 2016;78(2):122-133. doi:10.1097/PSY.0000000000000274.
  9. Martín-María N, Miret M, Caballero FF, et al. The Impact of Subjective Well-being on Mortality: A Meta-Analysis of Longitudinal Studies in the General Population. Psychosom Med. 2017;79(5):565-575. doi:10.1097/PSY.0000000000000444.
  10. Li S, Stampfer MJ, Williams DR, VanderWeele TJ. Association of Religious Service Attendance With Mortality Among Women. JAMA Intern Med. 2016;176(6):777-785. doi:10.1001/jamainternmed.2016.1615.
  11. Chaves LJ, Gil CA. Older people’s concepts of spirituality, related to aging and quality of life. Cien Saude Colet. 2015;20(12):3641-3652. doi:10.1590/1413-812320152012.19062014.
  12. Neri AL. Palavras-chave em gerontologia 3ª ed. Campinas: Alínea; 2008.
  13. Neri AL. Envelhecimento e qualidade de vida na mulher. In:Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia; 2001; São Paulo.
  14. Rocha NS, Panzini RG, Fleck MPA. Desenvolvimento do módulo para avaliar espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais do WHOQOL (WHOQOL-SRPB). In: Fleck MPA, organizador. A Avaliação da Qualidade de Vida: Guia para profissionais da saúde. Porto Alegre: Artmed; 2008. p. 93-101.
  15. Lucchetti G, Lucchetti AL, Koenig HG. Impact of spirituality/religiosity on mortality: comparison with other health interventions. Explore (NY). 2011;7(4):234-238. doi:10.1016/j.explore.2011.04.005.
  16. McCullough ME, Hoyt WT, Larson DB, et al. Religious involvement and mortality: a meta-analytic review. Health Psychol. 2000;19: 211-222.
  17. Sloan RP, Bagiella E. Religion and health [comment]. Health Psychol. 2001; 20:228-229.
  18. McCullough ME, Hoyt WT, Larson DB. Small, robust, and important: reply to Sloan and Bagiella. Health Psychol. 2001;20:228- 229.

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